Se estava sem flores não me
recordo,
se tinha água ou óleo não sei dizer,
se era grande ou pequeno é
irrelevante,
se foi feito para conter é indiscutível.
Um jarro em cima da mesa
lembra infância em casa de avó,
aquele jarro tão bonito quanto antigo,
digo
antigo e não velho que só guarda ou junta a poeira do tempo,
que não serve mais
ou que se guarda no fundo de um baú.
O antigo conta sua história em suas
memórias,
cada traço que lhe fez o tempo.
Como disse uma vez
Maria Cândida
Moraes em seu livro
“toda objetividade repousa na subjetividade”.
O jarro está
lá, mesmo antes de se saber de sua existência,
ele estava lá, comprido ou
curto, largo ou estreito,
preto ou branco, e apenas diferente.
Não foi apenas
feito, mas foi por quem ri,
por quem chora, por quem ama, por quem vive.
O vaso pode representar
muitas coisas,
do corpo a alma humana,
mas hermetismos a parte, o vaso é
feminino,
feito para representar a mulher em seu corpo e formosura,
e, em cima
da mesa pode ser a dama em sua sacada.
Contendo a água que pode representar as
emoções escondidas,
o vaso pode ser o subconsciente,
mas independente das
interpretações que se dê,
o vaso sempre vai ser.
Muito me intriga o conteúdo
daquele jarro
ou quem o colocara em seu atual recôndito.
Um jarro em cima da
mesa é um ser pensando,
pode-se verter dele o pior dos venenos ou o mais doce
néctar.
Quem dera conhecer o conteúdo daquele jarro,
que faz sonhar em cada um
de seus finos e ricos
detalhes em alto e baixo relevo,
detalhes em alto e baixo relevo,
ou em cada cor que o
artesão escolheu
entre tintas que ele mesmo pode ter inventado.
Contudo está
lá, é estático, não ama, não ri,
nem chora, mas vive, foi feito.
nem chora, mas vive, foi feito.
A arte é viva.
O trabalho UM JARRO EM CIMA DA MESA de Thomás Oliveira está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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Lindo poema!
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